2 de junho de 2016

COLAGENS COMO DESLOCAMENTO DA PERCEPÇÃO

           

                                     
As colagens estimulam nossa cognição, através delas a nossa imaginação é conduzida à criatividade, e com o exercício dela, à invenção. O nosso olhar está preso no espetáculo gráfico da mídia, um tipo de transe que determina a direção do olhar. É na periferia desse foco “capital”, digamos assim, que estão os elementos básicos desse trabalho de colagem. O processo criativo ocorre quando articulamos o nosso “desajuste necessário” em uma produção de si. Nesse caso, na fragmentação desse espetáculo mediático das revistas levadas à sala de aula para serem fragmentados e ressignificados.

                                                                
Oficina de fanzine na ONG Aro-Íris, Florianópolis / 2013



Para reconstruir o que sentimos precisamos observar melhor os detalhes desse material impresso, e assim, poder retirar do contexto mercantil para fazer essas invenções estéticas. Desconstruir esse foco do nosso olhar condicionado é fundamental para reativar o sentido da invenção. Essa reestruturação do nosso olhar sobre esse material é o procedimento básico para começar a desbloquear a criatividade, dando atenção para o que não era percebido. Encontramos nas revistas elementos que potencialmente merecem ser ressignificados. Com um bom número de figuras, signos e texturas cortadas e reservadas vão compondo a partir de pontos de relações entre o que sentimos e o que olhamos. Esses elementos, as figuras e fragmentos, ganham outros significados que ampliam suas combinações. O corte, o reposicionamento dessas figura são executados pela nossa introspecção, compondo ambiências que fazem brotar espontaneamente dos fragmentos outras significações. Prestar atenção no que as figuras dizem e escondem é fundamental para lidar com este tipo de trabalho. A escolha dos signos, texturas e figuras recolocadas em uma perspectiva individual se processa inventivamente.

O objetivo do espetáculo midiático das revistas é promover a mercadoria, e com isso determina para onde devemos olhar. Na mídia sempre há um arranjo central que induz ao consumo, esse arranjo induz a olharmos à mercadoria como um fetiche. “Mais do que a televisão, a revista ainda é a grande narradora de contos de fada” (SODRÉ, 1972, p.50). Desconstruímos esse produto-signo centralizado na página de uma peça publicitária, fragmentando e aproveitando todo esse aparato de cores, texturas e signos. Retirados do seu contexto e reagrupados pelo olhar da introspecção, todos esses elementos possibilita (re)construções estéticas únicas.

                                                               
Mine-curso no SEPEX, UFSC - 2014 

Sendo matéria prima desses trabalhos de ressignificação, esses resíduos, dejetos ou descartáveis urbanos habitam a mais de um século os maiores museus do mundo. Sendo eles componentes de uma arte contemporânea, ainda não foi possível pensá-los como projeto social. E como dar o status que esses resíduos merecem sem um processo pedagógico que induza a reutilizá-los? Isso certamente sempre foi interesse das colagens, mas no atual momento em que nos encontramos já deveria ser também de interesse das políticas públicas e sociais.

Com um arranjo de duas ou três figuras podemos ter uma célula da colagem, como sendo o núcleo inicial de um trabalho que potencialmente pode se desenvolver. As colagens podem ser executadas com diferentes tipos de materiais, geralmente recipientes, caixas, envelopes, fragmentos de algo que se rompeu, quebrou, etc. Todo esse material colado em uma base pode significar referências ou lembranças de algo intimo algo que estava esquecido em algum lugar. Com tanto material virando resíduos do dia para a noite reutilizá-lo não seria só uma má idéia, mas uma saída no tocante a criatividade aplicada a sustentabilidade.

11 de maio de 2016

Bolsa de extensão e pesquisa na UFSC.




Professora orientadora:
Profª. Drª. Silvia Coneglian Carrilho de Vasconcelos

Membros do Projeto:
Luciano Maciel Machado – Estudante de Artes Cênicas
Luiz Fernando Mendes de Almeida – Estudante de Letras

Contatos:
tralalera@gmail.com
lufealmei@gmail.com


O presente projeto de extensão é uma ampliação do projeto implantado em 2012, intitulado GÊNEROS TEXTUAIS EM MOVIMENTOS COMUNITÁRIOS – a partir das experiências positivas realizadas em 2011 e 2012 com oficinas de fanzine vinculadas ao NEAmb.
O objetivo dessa pesquisa é desenvolver práticas de letramento a partir de diversos gêneros textuais, mais especificamente o fanzine, como forma de mobilizar comunidades e motivar o desenvolvimento da criatividade nos participantes.
Na sistematização do trabalho desenvolvido em torno do fanzine como um gênero textual em ação concreta junto a comunidades, buscamos a conscientização sócio político ambiental junto à produção de informação e abordagem urbana, que permite a transformação do imaginário local.
Para cada situação comunicativa, os sujeitos trocam informações, persuadem, convencem e provocam efeitos de sentido a partir de textos moldados em gêneros específicos. O conhecimento prático e vivencial dos gêneros textuais possibilita um maior grau de letramento daqueles que o experienciam (MARCUSCHI, 2002; BHATHIA, 2009), fazendo que entrem na pedagógica experiência que o fanzine propicia, com suas colagens, produção de informação e a busca da transformação nas ruas através das intervenções urbanas.
A ampliação prevista para 2014 engloba a discussão e sistematização a respeito de uma PEDAGOGIA DO FANZINE.


Minicurso no SEPEX / UFSC - 2014



2 de abril de 2016



DRS


DRS com resíduos / 2010

discursoressignificadordesignos.blogspot.com

Fanzine



MACHADO, Luciano Maciel. Do fanzine à performance e à (re)invenção de si a partir do desajuste necessário. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Graduação em Artes Cênicas. Universidade Federal de Santa Catarina. 51 fls.




RESUMO


O zine Tralala é uma realidade desterrense que aqui se reinventou ao sair do papel para o corpo, e a partir da necessidade estética e crítica de um artefato, juntamente com sua performance, veio desencadear uma demanda criativa traduzida em pesquisa, textos, projeto pedagógico e, no momento, este trabalho teórico de conclusão de curso que aqui apresento. A ação que fazia nas ruas foi a força motriz do desenvolvimento desse trabalho, gerando informações que formaram as interfaces do Tralala. Essa prática foi sistematizada e transformada em teoria e, já há algum tempo, vem sendo realizada através de um projeto pedagógico. Com esses procedimentos transcritos desde as colagens, passando pela confecção do artefato fanzine, até chegar ao dispositivo cênico da performance, foi se constituindo em uma relação que privilegia a interação entre aluno e educador, em uma didática que se baseia em experimentações nas diversas áreas do conhecimento, e com isso possibilitou mapear questões de cunho estético, político, pedagógico e de sustentabilidade.



Palavras-chave: fanzine, performance, pedagogia


                                                                             

Banner do projeto de extensão e pesquisa UFSC/ 2012





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1 de abril de 2016

.Aula-Instalação-performance / NOV-2010-UFSC


                 Evolução física e mental da espécie humana.

     
Atrolaptecus Ramiris                 4.500.000  a/C

Atrolaptecus Afarensis               3.500.000  a/C

Atrolaptecus Africanus               3.200.000  a/C

Atrolaptecus Robustos                3.000.000  a/C

Homo Habilis                              2.500.000  a/C

Homo Erectus                             1.500.000  a/C 

Homo Sapiens                                100.000  a/C
  
Patriarcalismo                                 10.000  a/C

Nascimento de Cristo                         2.000  d/C 


                                                              

Performance-instalação

SOMOS PEQUENOS PARA TANTA EMPÁFIA



Teoria e pratica da Performance II 

Professor Rodrigo Garcez

Curso de Artes Cênicas da UFSC - Florianópolis







Aula-performance na UFSC em novembro de 2010.









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31 de março de 2016

Impressão descritiva do Tralala pela Ugra Press 2010.



I Anuário de fanzine, zine e publicações alternativas.


TRALALA
#24 / 15 x 7 cm / 2 pags. / xerox / 2010

Esse é um zine de Desterro, a conhecida
cidade de Santa Catarina. Ops! Você
nunca ouviu falar de Desterro? Isso é o
que você aprende ao ler o Tralala, feito/
divulgado em Florianópolis, o nome pelo
qual 99,99% das pessoas conhecem a
cidade cujo patronímico é uma homenagem
a Floriano Peixoto, o primeiro general
golpista do Brasil.
Revisionismos históricos à parte, o zine
é uma folha A4 dobrada em 3 partes,
assumindo o típico formato de um folder.
É curiosa a intitulação do zine como “xerocrático”,
nomenclatura justificada como
o xerox sendo um elemento contestador
em si, uma forma crítica e avessa à produção
editorial em massa. E isso é muito
bem resolvido nesse zine que abusa
(no bom sentido) de colagens caoticamente
sujas, denominadas pelo autor
de “discurso ressignificador de signos”.




É legal ver zines que apostam nessa
“imundície visual” e não compactuam
com certa estética limpinha que alguns
zines literalmente plagiam das revistas de
grande circulação. Os textos, alguns do
próprio editor, outros citações de fontes
diversas, alinham-se com a temática
anarcoprimitivista. Há também trechos
do DVT (Discurso Viabilizador do Tralala),
que pelo que entendi é o seguinte: o
editor vai até uma certa região central de
Floripa e fica falando sobre os temas do
zine com os transeuntes, distribuindo o
zine e pedindo contribuições. No final das
contas isso não tem diferença nenhuma
com a tática dos testemunhas de Jeová
que ficam gritando a palavra da salvação
por aí. De qualquer maneira é uma forma
heterodoxa de distribuição. 
(LM)



https://ugrapress.wordpress.com/




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PARATOPIA



1º Anuário de fanzines brasileiro elaborado
pela Ugra Press - São Paulo/2010




Fanzines não existem! E são
paratópicos! Quer dizer que estão...
e não estão! Como na física dos quanta,
em que as micropartículas podem existir
como matéria...ou como onda probabilística!
O colapso se dá quando a consciência
do observador depreende de tal fato
e possibilita a “materialização” da onda.
Na vida social que construímos, o mesmo
se dá, já que estipulamos e aplicamos
valores. Assim, por exemplo, um escritor
se torna tal profissional quando uma
criação sua escoa pela editoração oficial
num rebento chamado livro! E eis que
existe a literatura e o autor! A sociedade
se embrenha em consumar o fato, consumindo
sua idéia de cabo a rabo. E assim
seu livro é vendido...em forma de papel,
e agora pela Internet como um e-book ou
então sendo baixado nos atuais I-Pads (o
futuro “material” dos livros).
Porém, não existe apenas aquele autor...
outros de nós poderiam nos tornarmos
tais e quais, autores! Mas como, se a
sagração do profissional depende de
números, editoras, classificações (e um
pouco de sorte)?

Públicação do 1º Anuário de fanzines brasileiro elaborado
pela Ugra Press


A paratopia na literatura quer trazer uma
localização em paralelo (do grego para
= ao lado de e topos = lugar) de uma
“escritura” que não existe...oficialmente!
Mas que está lá apesar disso.Todos nós
temos cérebros, formatados por uma
mente que pensa, intui e cria. Será que
isso não nos dá direito de, paratopicamente,
sermos também autores? É o que
o fanzinato faz...os fanzines são criações
independentes, libertárias, paratópicas,
imagético-literárias, anárquicas, vivas,
bidimensionais (e até tri- ou quadridimensionais),
e que se refletem atualmente
na forma de blogs (mescla de zine com
diários) na Internet. Os fanzines, cujo
título vem do neologismo inglês “fan +
magazine”, desde os boletins da década
de 1930, até os libelos criativos de HQ e
literatura da década de 1960 e 70, para a
ampliação punk inglesa e americana dos
anos 1970, e a expansão e possibilidade
de publicação dos quadrinhos nacionais
(que à década de 1980 eram também
paratópicos – pois aqui no Brasil só se
editavam mais os quadrinhos gringos),
sobreviveram e se recriaram nas décadas
de 80 e 90, ultrapassando incólumes os
anos 2000. Assim, já completando mais
uma década, aparecem finalmente na
educação formal escolar, em mestrados
e teses de doutorado e pós-docs,
bem como em aulas de pós-graduação,
despontando até em livros de língua
portuguesa na escola e filmes documentários
(vide o filme “Pro dia nascer
feliz”), mesclando-se na Internet com
os sites e blogs, dando mostra de seu
vigor sempre renovado, paratopizado, e
quântico: está e não está na sociedade,
ainda que a maior parte dela desavisada
não o saiba (como as micropartículas
que paradoxalmente também são ondas
de probabilidade). De uns tempos para
cá, os zines foram utilizados em livros
escolares (Cadernos de Apoio e Aprendizagem
de Língua Portuguesa, produzido
pela Fundação Padre Anchieta) como
uma linguagem potencial a ser usada...
incluindo os novos e inéditos “biograficzines”,
criados pelo educador e filósofo
Elydio dos Santos Neto, como recurso
criativo e metodológico aplicados nas
aulas de pós-graduação no mestrado
para Pedagogia, como forma inusitada e
vanguardista de auto-desenvolvimento e
metodologia educacional! Na vanguarda,
como sempre o foram os zines!
Eis que esses fanzines subsistem na
trincheira zineira, com zinismos estonteantes
e em fanzinotecas espalhadas
pelo mundo, zinamente indo onde livros
e revistas comuns jamais foram, forjando
novos paratópicos escritores/ilustradores/
fazedores/criadores e zineiros. Resistem 
assim, confraternizam, expandem suas
concepções e idéias, e ao se renovarem,
arregimentam mais autores, coautores, leitores,
educadores e amigos fieis da criatividade
e liberdade: os únicos motivos
reais para nossa existência, e para esse
1º Anuário de fanzines brasileiro elaborado
pela Ugra Press, que veio no momento
propício, cultural, existencial, paratópico
e quântico! Pois embora os fanzines não
sejam largamente conhecidos popularmente,
sua influência (que começa a se
embrenhar até nas escolas) sempre se
faz presente, trazendo novas incursões ao
futuro: é possível que os zines jamais desapareçam,
embora possam conviver e/
ou “mutar” hibridamente de suportes (do
papel à Internet, I-Pads, blogs etc)...no
vindouro, o que se reserva a eles dependerá
exclusivamente das ideias libertárias
do ser humano: se este as perder, então
o fanzine deixará de existir! Ou seja, da
mente humana é que depende a manutenção
– seja ela qual for – dos criativos,
essenciais e paratópicos zines!



São Vicente/SP, janeiro de 2011
Gazy Andraus é Pesquisador do Observatório
de Quadrinhos da Escola de Comunicações
e Artes da USP (ECA-USP),
Doutor em Ciências da Comunicação
da ECA-USP (melhor tese de 2006 pelo
HQMIX em 2007), Mestre em Artes Visuais
pelo Instituto de Artes da UNESP, e autor
de histórias em quadrinhos autorais adultas,
de temática fantástico-filosófica.
Contato: gazya @yahoo.com.br



https://ugrapress.wordpress.com/

29 de março de 2016

Endereços na web




https://www.facebook.com/zine-tralala-153765174699252/

https://www.facebook.com/zinetralala/

discursoressignificadordesignos.blogspot.com

https://www.facebook.com/Expozine-225798557567400/



                                 





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28 de março de 2016

SEPEX - UFSC



11 SEPEX / UFSC - 2012 



Minicurso:

ABORDAGEM DE RUA E FANZINE: GÊNEROS TEXTUAIS A SERVIÇO DE COMUNIDADES AMBIENTALMENTE CONSCIENTES.


Todas essas produções textuais são conformadas no que se costuma nomear de “gêneros textuais”. Como a vivência desses gêneros textuais propicia estímulo à leitura e à elaboração escrita, participam das práticas de letramento. Então, ao mesmo tempo em que temáticas ligadas à área ambiental - como preservação, equilíbrio ecológico, sustentabilidade e formas de intervir no meio urbano - são tratadas, a experiência textual é consolidada promovendo habilidades linguístico-discursivas situadas sócio-historicamente.

       


25 participantes entre universitários, professores e comunidade.
                                                 
                                                                         





12 SEPEX / UFSC - 2013


O gênero discursivo fanzine propicia múltiplas ações pedagógicas em sala de aula e fora dela porque trabalha a partir da costura da expressão humana, da criatividade, com práticas de letramentos escolares ou não-escolares e mobiliza pessoas e comunidades a pensarem sobre suas ações no espaço urbano, a partir da brincadeira e da pedagogia da bricolage, termo disseminado por Claude Lévi-Strauss, da gambiarrologia e do discurso ressignificador de olhar o mundo.
Para  10 universitários- 22/11/13

                                         



                                                               
12 SEPEX - 2013






13 SEPEX / UFSC - 2014

Dados do Minicurso

Título: Pedagogia da Bri(n)colage, Gambiarrologia e Discurso Ressignificador nas práticas discursivas urbanas do Fanzine.











                                                          




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Projeto de Extensão e pesquisa para 2014

“Gêneros Textuais na Construção de uma Pedagogia do Fanzine em uma dinâmica Transformadora do Imaginário Urbano”

Professora e Linguista Silvia Inês Coneglian Carrilho de Vasconcelos





                                                                      
                                                         
Luciano Tralala, Silvia Coneglian e Luiz Almeida no seminário do projeto de pesquisa e extenção/2014